Reportagem do dia 17/03/2003
Jornal O Estado de São Paulo
Por Maria Hirszman
(…) O livro The Piano Factory [é] uma análise crítica e visual sobre a obra de Daniel Senise, um dos grandes nomes da pintura brasileira da década de 1980. A publicação […] enfoca basicamente os últimos anos de trabalhos do artista, com destaque para as produções desenvolvidas em seu ateliê nova-iorquino, mas contextualiza essa linha de trabalho dentro de seu percurso. Os textos são assinados por Agnaldo Farias e Alexandre Mello.
Como explica o próprio Senise na abertura do livro, “algumas dessas pinturas foram realizadas num prédio em que funcionava uma fábrica de pianos (daí o título da publicação). Trazem suas salas vazias, a geometria do assoalho, pátina e as partículas de pó suspensas, os ecos das máquinas e vozes, das notas soltas e dos acordes extraídos dos instrumentos sendo feitos e afinados, a música que um dia habitou aquele lugar .(…)
Reportagem do dia 17/03/2003
Jornal do Brasil
Cleusa Maria entrevista Agnaldo Farias
(…) Como o senhor situa o trabalho de Senise na produção contemporanêa brasileira?
Daniel Senise se mantém numa posição bastante relevante. Ele nasceu em um momento que produziu muitos artistas e conseguiu manter essa posição graças ao caráter experimental de seu trabalho. Nunca se acomodou no que estava fazendo. O pensamento dele sobre pintura tem se aberto consideravelmente nos últimos anos. O livro The Piano Factory e as exposições que serão abertas esta semana, no MAC e na Galeria Silvia Cintra, são parte de uma série completa.
E são muito diferentes do que ele fazia antes de 1998, quando se mudou para os EUA. Daniel Senise é um artista permanentemente insatisfeito e que joga sempre no ataque.
Reportagem do dia 20/03/2003
Jornal O Globo
Por Daniela Name
(…) Senise também abre hoje, às 19h, na galeria Silvia Cintra, em Ipanema, uma exposição com obras recentes. As duas exposições marcam o lançamento de The piano factory .
Com texto de Agnaldo Farias, o livro apresenta os últimos anos de trabalho do artista relacionando este período com peças emblemáticas de sua obra, como as séries “Bumerangue”, feita com pregos enferrujados e “Retrato da mãe do artista”, criada a partir da apropriação de uma pintura homônima de James Whistler.
Este segundo grupo de trabalhos – que originou telas como Casamento e Despacho – pode ajudar o leitor/espectador pouco acostumado à obra de Senise a compreender elementos recorrentes em seu repertório.
Nestes trabalhos, ele fala de memória (pessoal, social e da história da arte), de um corpo ausente (como em outros trabalhos, como Ela que não está), da citação de novos significados para elas (pode usar de uma pintura do século XVIII a uma propaganda de panelas publicada em jornal) e de duplos que se repelem ou se complementam. (…)