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Magalhães-Elcano 1519–1522: a primeira viagem ao redor do mundo

Organização:

Heloisa Meireles Gesteira

Formato:

22 x 26 x 2 cm, 176 páginas

Autores:

Heloisa Meireles Gesteira, Carlos Ziller Camenietzki, Marcello José Gomes Loureiro, Elisa Frühauf Garcia, Marcelo da Rocha Wanderley

Sinopse

Em 20 de setembro de 1519, cinco embarcações partiram de Sevilha e, quase três meses depois, em 13 de dezembro, adentraram a baía do Rio de Janeiro para reparos antes de seguir viagem. O local oferecia segurança e abrigo para aqueles que realizavam viagens de descobrimentos pela costa do Novo Mundo na direção Norte–Sul.

Formada pelas naus Victoria, Trinidad, San Antonio, Concepción e San Tiago e contando com cerca de 240 homens, a expedição a que nos referimos era patrocinada pelos reis da Espanha e comandada pelo português Fernão de Magalhães e pelo espanhol Juan Sebastián Elcano. Objetivava descobrir uma passagem marítima para o Mar do Sul (Oceano Pacífico) circundando o Novo Mundo e assim alcançar as Ilhas Molucas, famosas pelas cobiçadas especiarias. Tão somente 18 homens e uma embarcação — a Victoria —, sob comando de Juan Sebastián Elcano, retornaram ao ponto de partida três anos depois, em 1522. Contudo, a primeira viagem de circum-navegação do globo havia-se tornado realidade: a abertura do contato com a Ásia contornando a América foi um dos marcos para a concretização da primeira experiência marítima em escala global.

Os capítulos do livro Magalhães-Elcano: a primeira viagem ao redor do mundo, 1519-1522, organizado pela historiadora Heloisa Meireles Gesteira, comemoram essa efeméride explorando temas atuais da historiografia da Era Moderna. A viagem e seus significados são apresentados em um amplo conjunto de registros textuais, iconográficos e cartográficos elaborados no contexto das viagens de descobrimentos realizadas entre meados do século XV até início do século XVII, provenientes de instituições como a Biblioteca Nacional da Espanha, Biblioteca Nacional da França e John Carter Brown Library. Reunindo múltiplos aspectos, as viagens oceânicas eram motivadas pelos interesses mercantis, políticos e estratégicos dos impérios, reinos e repúblicas da Europa que se envolveram nas disputas ultramarinas pelo controle das rotas e feitorias e pela dominação de áreas que foram posteriormente colonizadas.

As viagens oceânicas foram responsáveis por uma série de “descobrimentos” e mutações culturais na Europa e nos locais onde os europeus estabeleceram conquistas: descobrimento de novas terras, novos céus, novos mares, novas técnicas de navegação e, o mais impactante, novas culturas, provocando a consciência da diversidade entre os homens.

Os escritos sobre a arte de navegar e o uso das especiarias são apresentados por Heloisa Meireles Gesteira no capítulo “Saberes em movimento. A arte de navegar e os simples das Índias nas viagens de descobrimentos”. O conhecimento de matemática e astronomia de cosmógrafos renomados da época, a exemplo de Pedro de Medina e Alonso de Santa Cruz, ofereceu soluções para o desafio das viagens, divulgando o uso de instrumentos de medição que auxiliavam os navegantes a se localizarem no espaço e a ajustarem os rumos, especialmente nos trechos onde não se avistava terra. O consumo das especiarias das Índias Orientais também foi incrementado nas cortes europeias por meio de textos escritos por médicos e em roteiros de viagem, que ganharam edições sempre atualizadas conforme novas informações chegavam à Europa nas embarcações.

Carlos Ziller Camenietzki em seu capítulo “O relato de Antonio Pigafetta. A publicação na cultura do Renascimento tardio” apresenta o impacto da divulgação das primeiras notícias acerca da viagem de Magalhães–Elcano que circularam na Europa, entre elas o relato de Antonio Pigafetta, o único autor que acompanhou a viagem. Camenietzki explora como as narrativas contribuíram para o enaltecimento do feito e como esses relatos, elaborados por personagens importantes das cortes europeias, como o diplomata de Carlos V, Maximilianus Transylvanus, contribuíram para a difusão do feito, deixando de fora aspectos sigilosos dos caminhos percorridos.

O patrocínio de viagens de descobrimentos pelos monarcas de Portugal e Castela e a produção de documentos cartográficos pelos cosmógrafos das cortes ibéricas como a carta da costa do Brasil, de Luís Teixeira Albernaz (c. 1586), e o planisfério de Diogo Ribeiro, de 1529, devem ser observados e analisados como parte das contendas diplomáticas pela posse de terras. Ao inserir a viagem de Magalhães–Elcano no emaranhado das disputas ibéricas, Marcello José Gomes Loureiro, no capítulo “Entre política e cartografia. A conquista do Pacífico e o antimeridiano de Tordesilhas”, transporta-nos para as tensões entre os reinos europeus, sobretudo Portugal e Espanha, em relação às posses ultramarinas e para os debates sobre a localização do meridiano de Tordesilhas, realçando os interesses geopolíticos no Novo Mundo e no Oceano Índico.

Elisa Frühauf Garcia, no capítulo “Os índios brasileiros na formação do mundo moderno. Alianças, comércio e trocas culturais”, demonstra como os indígenas da costa do Brasil tiveram papel importante na construção dos circuitos mercantis e no estabelecimento de relações políticas sem as quais certamente os europeus não teriam alcançado tanto sucesso nas suas empreitadas. O contato entre os navegantes europeus e os povos indígenas foi marcado por conflitos, relações comerciais e trocas culturais e se reflete em documentos textuais e iconográficos bem como objetos indígenas que sobreviveram em museus, como o manto e a capa de plumas tupinambá.

A imagem dos navegantes dos descobrimentos foi interpretada ao longo do tempo e sofreu inúmeras alterações. Encerrando o livro, Marcelo da Rocha Wanderley no capítulo “Toda a Terra flutua no oceano do mundo. Os argonautas do Período Moderno” apresenta-nos as polêmicas e as diferentes apropriações dos feitos desses indivíduos, tendo Fernão de Magalhães e Juan Sebastián Elcano como personagens centrais de suas reflexões, demonstrando como cada época e cada autor, a seu modo, produziram imagens dos pilotos que refletiam múltiplas perspectivas de análises.

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Edições em capa dura, papel especial e design exclusivo.

Capa do livro "Flora das Caatingas do Rio de Janeiro"
Capa do livro "Lagoa"
Capa do livro "Baía de Guanabara"